quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Inversão
inverter o choro.
Vou sorrir pelo aveso o sorriso que você me deu.
Vou beijar com calma o avesso dos seus lábios.
Vou pintar de branco a pretura daquela alma.
E se tudo assim ainda não parecer valer a pena
eu inverto a morte e te encontro no meu peito.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Ivan Lage
Queria ter forças para que pensamentos de luz te acompanhassem. Que cada brisa que toque meu rosto possa me ajudar nessa caminhada em busca do perdão e que possa assim se transformar em preces iluminadas para você.
O que me dói é ter que falar sobre você no passado, você tão presente nos meus pensamentos. Algo que vai me acompanhar para sempre: uma dor, uma angústia, uma saudades.
Não vou falar de religião porque sei que você não aprovaria, mas que sua caminhada seja serena e com muita luz.
domingo, 31 de outubro de 2010
sábado, 25 de setembro de 2010
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
throwing away
E eu sinceramente não sei o que fazer, e ninguém deve vir me falar. Fico confusa e as vezes chega a me faltar o ar. Duas palavras poderiam ser suficientes, mas as vezes nem um milhão o são. Eu só não quero ouvir mais que eu preciso tomar cuidado comigo, me cuidar, porque eu quero algo que talvez ele não possa me dar. Se ele escolhe me dar ou não a opção é toda dele, eu que preciso cuidar do que eu quero pedir e do que eu quero dar. Eu quero ele ao meu nado, mas não darei a minha vida. Minha felicidade está nas minhas mãos e não em mãos que me tocam.
Se eu tivesse que falar eu gritaria.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Mutus
Vão andando
vão deixando.
Passam as horas
andam os momentos
e deixam as marcas.
As horas que não deixaram para trás
aquelas marcas do que foi sublime.
O vazio que ficou para trás
é aquele que insiste
em lembrar dos passos.
Fica sem falar
Passa sem deixar
A vontade de mudar.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Sobre os fragmentos e o que é inteiro
Quando me sentei para escrever pensei em colocar todas aquelas dores pequenininhas que de tanto se agruparem se tornam um temporal; mas o clima está tão seco lá fora, não há ares de temporais, e, aquele motivo que paralisou os dedos no teclado é o mais simples e fiel: eu não sou assim. Não sou amarguras, não quero ser montada por fragmentos cinzas-escuro.
Eu sou aquela amiga que vai até o fim, que perde o sono para velar os anseios que não tiveram voz. Sou aquela namorada que está pronta para encarar qualquer desafio, que é doce, mas que gosta da vida com emoções. Eu não sei ser pela metade com ninguém, e se eu for assim com você, saiba: o medo está à solta, venha me cativar. Eu não gosto de trabalhos mal feitos, embora faça todos aqueles mal pagos e não pagos. Gosto dos detalhes, de avessos, de risos incontidos e de corredeiras de lágrimas. Sou uma irmã sincera, que pode ver o mundo cair, mas jamais meus irmãos sofrendo. Sou uma filha rebelde, cheia de vontades e de desafios, mas não vivo sem o que me deu vida. Sou a prima para qualquer obra, sou a tia que vai jogar bola e quer desvendar o mundo nas vontades dos meus meninos. Sou a professora que pretende ser lembrada e que vai pegar um pouco no pé; e sou a estudante petulante que vai perguntar até a cor do fio de cabelo de quem escreveu todas aquelas maravilhas.
Por isso tudo e um pouco mais ( porque sempre há aquilo que deve ficar subentendido – assim o gosto da surpresa paralisa os lábios) hoje não escrevo fragmentos de mágoas: eu sonho com a plenitude da alegria.
domingo, 22 de agosto de 2010
The Blacksmith*
He makes armor and beautiful swords.
He has skilled hands
That makes rough iron become fine ornament.
And he has a great heart that loves art.
*Para os meus alunos que precisam aprender a se lapidar e encontrar com sensibilidade a beleza dentro do que ainda é bruto.
domingo, 18 de julho de 2010
Hístória sem final feliz
sexta-feira, 16 de julho de 2010
José - Carlos Drummond de Andrade
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia,
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?
Com a chave na mão,
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro,
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se enconstar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
Você marcha, José!
José, para onde?
quinta-feira, 15 de julho de 2010
quarta-feira, 14 de julho de 2010
E agora José?
se as horas são curtas -eu prolongo-as num beijo;
se os beijos são efêmeros - eu intensifico-os com um pré-olhar;
se as mãos não alcançam - eu encosto meu rosto no seu peito.
E agora eu me importo
Que os beijos sejam só meus;
que as suas mãos estejam no meu cabelo;
que o último pensamento seja meu.
E eu ainda não sei
se as suas horas serão um pouco minhas;
se as suas vontades se saceiam no meu seio;
e se eu sou um pedaço do que você quer.
E agora eu sei
que os diamantes que brilham no céu
são os mesmo que existem aqui dentro:
você sabe: eu não sei mentir.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
De lembranças da Cecília aos poemas "Elizabetanos"
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro:
no canteiro, uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o Planeta e o Sem-Fim
a asa de uma borboleta
(- Cecília Meireles)
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Gérberas
A dor da voz, a água. A dor da voz, o fogo. Soa solene, pia baixinho. Correm suspiros na imensidão do tudo.
Nada que transpira, a vida que sucumbe. São os sonhos que o dia pode nos propor. São os sonhos aos quais a noite pode se opor.
Ressoa, Ô Ô ô o o o o o ....
Entôa o o o o ô ô ô Ô
Penetra ao fundo.
Penetra e é fundo.
A alma saí aos poucos para tocar o sublime momento entre as notas musicais e a sua bela voz. Entre a sua voz, as notas musicais e o nada da minha vida.
Sucumbe: permite-se viver.
*Dia 10/04/2010. Durante um show do Urutau ( http://grupourutau.wordpress.com ).
quinta-feira, 8 de julho de 2010
I am only happy in the sun
It is all about little things, It is all about me, my body and my sense of life.
domingo, 4 de julho de 2010
.tempo.
END
because when it is happening, I have no choice of not lettingt it go.
I got confused and relaxed,
I got frightened and out of control.
Maybe it is time to let it go:
I can't handle it, if there are more than four hands.
I'm just too proud for that.
I'm writing because I think that it is the moment to let it fly:
no tight hands, no diamonds in the sky.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
desabafo de uma saudade
A amiga de poucas palavras que me entendia como niguém.
Alessandra: aquela que defende o homem, apaixonada.
A amizade que não terá fronteiras.
Como eu gostaria de te abraçar, de conversar e trocar um cigarro.
Castle, Cigarretes e risadas: minha italiana amada.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
do que se perdeu
roupas, camas, beijos, amassos.
A estrada foi alongando-se com o passar das horas,
e aquelas que eram intermináveis
ficaram instransponíveis.
Os sapatos perdidos em eiros mais exclusos.
A boca manchada de sangue nem disfaça o batom bordô.
Não existem restígios
O que sobrou foi um ar parado e seco;
- um nó na garganta e o antigo beijo.
terça-feira, 29 de junho de 2010
Let it go
let it be or let it die.
The moment is ephemeral
and the time is passing by:
I don't know the size of your hand
How could I guess what is going on in your mind?
It is time for let it go,
Or I let it be
Or I have to let it die.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
sábado, 26 de junho de 2010
meu namorado
eu tiro um arco-íris da cartola.
E refaço. Colo. Pinto e bordo. Porque a força de dentro é maior.
Maior que todo o mal que existe no mundo.
Maior que todos os ventos contrários.
É maior porque é do bem.
E nisso, sim, acredito até o fim"
(caio f.)
Encontrado no: http://caixamgica.blogspot.com/
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O namorado fragilizado, na cama, deitado, sonha com os olhos bem cerrado.
Não acredito no fim da linha, não acredito que o rolo se desfez inteiro.
Enamorados desde do primeiro dia - o meu.
Cantava músicas para me levar à escola.
Ah, meu namorado, não deixe esses olhos cerrados encerrarem esse amor.
As 50 mil caixas lotadas de picolé me provaram o tamanho desse sentimento:
Uma infância cristalina:
Essa história está apenas entrando na vida adulta.
N.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
fuso horário
mesmo que não falemos em vigilia as relações continuam as mesmas:
quebradas, separadas, alongadas.
O que parecia uma distância de horas,
nesse exato momento parece maior que o dia:
meu dia findo,
seu dia surgindo.
As peças continuam truncadas
e eu procuro a hora que o encaixe terá se desfeito.
completamente.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Aprendendo Alemão
Mein herz fãngt an zu schlagen"
Meu primeiro verso em alemão :)
domingo, 25 de abril de 2010
retrovisor
O pôr-do-sol ficou do outro lado do oceano, mas
hoje o vejo transfigurado, no retrovisor do meu carro.
Carmindo de Campos intrafegável, o retrovisor me parece quebrado.
As peças se movem, se montam, remontam
Quase se assemelham a remota paisagem:
um oceano, o topo da montanha e seu pescoço molhado.
Os olhos se fecham por um segundo, até posso sentir o suor salgado.
São as horas, são os momentos, tudo afogado.
O suor, o carro, o sal. Tráfego. Tráfico.
Meu coração foi tragado
e o por-do-sol ficou por lá,
do outro lado do retrovisor transviado.
sábado, 27 de março de 2010
reconhecimento
-Oi Tatá.
Dá vontade de chorar quando vejo que nem o câncer nem o alzaimer podem diminuir esse amor.
É só o cheiro, as formas. Sou eu e os sentidos atentos do meu "namorado". Vô tão amado!
quarta-feira, 24 de março de 2010
memórias de Cape Town
Quantas memórias passam pelos nossos olhos no segundo entre o retrovisor e o carro da frente, a curva, a luz vermelha: quinçá a batida.
Quantas luzes passam pela nossa pele quando o sol morre no mar e o topo da Mesa é o lugar ideal de onde se pode observar.
Como um mês e meio pode ser uma eternidade?
A luz pelos olhos passaram. As memórias pelo corpo ficaram.
A mesa. O mar. O sol. Uma mão que me segurou com força e lançou meus pés no ar.
terça-feira, 16 de março de 2010
adeus, Roffman.
Hoje um pouco da felicidade ficou perdida num lugar longe de mim, no mundo.
Hoje a Enfermagem perdeu um aluno sorridente,
Hoje todos aqueles futuros pacientes perderam um cuidado.
Hoje 2006/2 chorou por um "Fanfarrão".
Hoje um amigo distante, um amigo de um passado bom, um amigo de poucas palavras deixou um vazio que não existia.
Vai com Deus, Roffman.
Espero que o mundo daí fique mais alegre e leve: agora você chegou.
Natália Salomé.